Características
A igreja teve sua construção iniciada em 1704 como uma obra da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho. É uma construção imponente, à qual se tem acesso por um pequeno adro gradeado, e possui um corpo central em dois pavimentos, coroado por um frontão de empenas em volutas, e ladeado por campanários cujo arremate é um coruchéu em bulbos superpostos. Ao rés-do-chão existem cinco portas, sendo que a central é mais ampla e emoldurada por um discreto frontispício, e acima delas, cinco janelas de delicado desenho.
O interior tem uma rica decoração em entalhes e azulejos pintados com cenas diversas. Os altares são em estilo neoclássico, e ostentam finas estátuas do século XVIII, de Nossa Senhora do Rosário, Santo Antônio de Cartegerona e São Benedito. Nos fundos da igreja existe um antigo cemitério de escravos. Preservando sua história ligada aos negros, a liturgia dos cultos faz uso de música inspirada nos terreiros de Candomblé. Nas datas comemorativas de Santa Bárbara e Iansã a igreja é o ponto central dos festejos.
Origens da devoção a Nossa Senhora do Rosário
[editar]A irmandade de Nossa Senhora do Rosário no Brasil
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário chegou ao Brasil no século XVI. Em Santos, a igreja matriz já tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário. No século XVII, esta mesma imagem de Nossa Senhora é a padroeira principal de Itu, Parnaíba e Sorocaba.
A partir do fim do período colonial, as irmandades do Rosário passam a ser constituídas pelos "homens pretos".
No Brasil, ela foi adotada por senhores e escravos, sendo que no caso dos negros ela tinha o objetivo de aliviar-lhes os sofrimentos infligidos pelos brancos. Os escravos recolhiam as sementes de um capim, cujas contas são grossas, denominadas "lágrimas de Nossa Senhora", e montavam terços para rezar.
Registra-se as seguintes datas de fundação das Irmandades dos Homens Pretos:
1640 - Rio de Janeiro (cidade), Rio de Janeiro
1708 - São João del-Rei, Minas Gerais
1711 - Cidade de São Paulo. Sede atualmente localizada no largo do Paiçandu, região central. A entidade foi criada para abrigar a religiosidade do povo negro, impedido de freqüentar as mesmas igrejas dos senhores, e resiste à urbanização, mantendo em seu calendário uma devoção secular a Nossa Senhora do Rosário. São realizadas procissões, novenas e rezas do terço, despertando o interesse dos que transitam pelas proximidades da avenida São João e da avenida Rio Branco.
1713 – Cachoeira do Campo e Sabará, Minas Gerais
1715 – Ouro Preto, Minas Gerais
1728 – Serro, Minas Gerais
1754 - Viamão, Rio Grande do Sul
1771 - Caicó, Rio Grande do Norte
1773 - Mostardas, Rio Grande do Norte
1774 - Rio Pardo, Rio Grande do Sul
1796 - Salvador, Bahia
1782 – Paracatu, Minas Gerais
A Irmandade do Rosário possuía a seguinte hierarquia: a Mesa Administrativa, o Conselho de Irmãos, a Coorte e o Estado Maior com suas Guardas. Em alguns lugares, devido à perseguição promovida pelo clero, algumas destas irmandades desvincularam-se da Igreja Católica. Mais recentemente, em algumas dioceses há uma reaproximação, através da Pastoral Afro-Brasileira.
Com quase três séculos de existência, a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos é uma referência para movimentos de consciência negra, porque apresenta uma tradição religiosa que remonta aos tempos dos primeiros escravos.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: sua construção foi iniciada nos primeiros anos do século 18 pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho. A fachada, com frontão rococó, reúne trabalhos delicados e belíssimas torres. Destacam-se em seu interior os painéis de azulejos, os altares neo-clássicos e três imagens do século 18 - de Nossa Senhora do Rosário, São Antônio de Cartegerona e São Benedito. Nos fundos, localiza-se um antigo cemitério de escravos.
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